Moogle Nest

Thursday, July 09, 2009

Baby, baby, never let me go...

Vou tirar as teias e atualizar com uma improvável resenha de um livro. Improvável porque eu não sou de escrever resenhas apuradas de livros, gosto mais dos filmes para essa atividade. Mais improvável ainda porque não atualizo meu blog há meses e muito menos com resenhas de coisas que leio, assisto ou escuto. Contudo, este livro é especial.

Não me abandone jamais foi escrito por Kazuo Ishiguro, um japonês nascido em Nagasaki em 1954. Tem essa capa e esse título extremamente estranhos quando você bate o olho, mas depois de ler, você entende tudo perfeitamente. Eu comprei esse livro porque o vi em algum site, em alguma dessas listas de "livros que você tem que ler antes de morrer", e ele estava em primeiro lugar, acima de obras de Philip Roth, Saramago e Ian McEwan (autores da mesma época). Alguma coisa tinha que ter.
Infelizmente, minha curiosidade é maior que minha vontade de ser surpreendida. Pesquisei algumas resenhas sobre ele, para ter uma noção do enredo, e praticamente todas que eu abria tinham spoilers. Parece que é impossível achar uma sem. E por isso, e porque sou estraga prazeres mesmo, vou contar a história toda do livro aqui. (Duvido que você consiga fugir dos spoilers quando o filme estiver chegando, mesmo.)

A história é narrada por Kathy, 31 anos, enquanto ela progressivamente tenta se lembrar de sua infância, adolescência e anos seguintes, na compania de seus amigos Ruth e Tommy. O livro é dividido em três partes, mais ou menos nessas três épocas dos três amigos. Kathy conta sua infância com os dois em Hailsham, um internato na Inglaterra, através de pequenos incidentes nos quais os personagens vão tomando profundidade. Você começa a entender o que cada um vai fazer antes mesmo de Kathy contar, porque parece que as memórias dela se tornam as suas, pela riqueza de detalhes.
Ao mesmo tempo, tudo é muito estranho, diferente e destoado da nossa realidade. Kathy conta como os alunos se relacionam - como demonstram afeto, como falam sobre sexo, como tratam os guardiões - e é tudo muito... bizarro. Eu lia e pensava que em lugar nenhum do planeta existem relações humanas assim, mas como eu já sabia o grande mistério do livro, thanks to the spoilers, eu pensava que mais para frente entenderia melhor.

A grande história do livro é que, na verdade, Hailsham é um internato de clones. Todos os alunos, sem excessão, são clones da escória da humanidade - prostitutas, ladrões, estupradores, assassinos - e estão lá com o único propósito de crescerem e se tornarem "doadores", ou seja, fornecerem seus órgãos para humanos de verdade. Como Kathy conta, os alunos em Hailsham sabem e não sabem de seus destinos. Seus guardiões os instruem de tudo que ocorrerá quando sairem do internato, mas nunca deixam exatamente claro.
Uma das coisas que eu mais me emocionei no livro foi a questão da arte. Os alunos são instruídos, desde pequenos, a praticarem arte: desenhar, pintar, escrever poemas e etc. Eles o fazem sem questionar, e quem não consegue produzir uma arte boa ou nenhuma at all é tratado com rejeição e indiferença. Mais ou menos como nós tratávamos aquele cara estranho de óculos quando estávamos na 8ª série. Kathy e Tommy, anos depois, vão atrás dos responsáveis por Hailsham para descobrir o motivo daquilo tudo, ao que recebem a resposta: eram obrigados a fazer aquilo porque os criadores de Hailsham queriam provar, de qualquer maneira para o mundo lá fora, que aqueles clones tinham alma, que não eram apenas criaturas que forneciam órgãos, e que deviam ser tratados com respeito. Coisa que nunca vingou.
O livro tem esse nome por causa de uma música que Kathy costumava ouvir nos tempos no internato. Era uma fita cassete de Judy Bridgewater, Songs After Dark, e a menina era fascinada por uma das faixas, cujo refrão tocava "baby, baby, never let me go... baby".

O livro é uma distorção da nossa realidade, mas que comove pela simplicidade de como o tema central, talvez absurdo para muitos, é levado com muita naturalidade por todos os personagens, até depois que eles tem a confirmação absoluta que são apenas cópias de condenados. Isso porque Kathy, Tommy, Ruth e todos os alunos de Hailsham não entendem porque eles seriam diferentes de humanos. Para eles, por terem vivido o que viveram, sentido o que sentiram, sofrido o que sofreram e se alegrado com o que se alegraram, eles existem e é apenas isso.

Uma adaptação para o cinema está em curso. Só pela sinopse do filme eu já vejo que não vai dar em boa coisa. Não, eles não descobrem que são clones. Eles sempre souberam, mas nunca entenderam a profundidade. Não, não é um sci-fi thriller, é um drama com clonagem como pano de fundo. Até onde me convém, clonagem não é exatamente sci-fi; é algo bem atual. Prazer, essa é Ruth fazendo cara de safada. Medo de Hollywood, muito medo.

Antes desse filme chegar, pelo amor dos santos, leiam o livro. É fantástico demais pra ser transformado em complementação do filme.

Tuesday, May 05, 2009

Constatações necessárias

Faz tempo que estou devendo um post com minhas divagações pessoais sobre o comportamento do ser humano. Estou sem porras pra fazer agora (porque meus entrevistados não me respondem, obrigado), então tirarei este momento especial, neste ambiente especial, para atualizar esta pequena área de reprodução de mosquitos da dengue. Quem se sentir atingido, por favor, queira tomar no seu respectivo cu, ou no dos outros, caso o seu já esteja muito arregaçado.

Há muito, pesquiso empiricamente quantas pessoas nesta Brasilha me detestam e cheguei à conclusão que é proporcional a quantidade de pessoas que eu poderia usar para praticar o uso de uma arma de fogo. O que me comove - por falta de termo melhor - é que 70% dessas pessoas me detestam sem motivo convincente; ou sequer com qualquer motivo at all.
Três gurias me detestam desde que entrei no Ensino Médio porque eu jogava handebol com elas. Eu era uma pessoa bem... eloquente no handebol. Pra não dizer barraqueira. Tudo bem, desde que eu tivesse GANHADO o jogo contra elas, mas eu perdi. Nesta bela cidade em que moro, infelizmente, não é como se eu jamais fosse vê-las novamente.
Algumas pessoas (nunca estabeleci um número exato) me detestam pelo que eu supostamente fiz com meu ex namorado. O que eu fiz ainda é um mistério já que o conceito de verdade nunca foi profundamente absorvido e utilizado por ele.
Outras pessoas preferem me detestar pelo que os outros fizeram: cagar algo do começo ao fim. Como é sempre mais fácil jogar a merda na grama dos outros, mostrar ao seu amigo o que ele fez de errado deve ser muito difícil. Mais fácil jogar em cima da contraparte.
Para fechar com uma bela cereja no topo do sorvete (só mais dois meses!), o
UniCEUB é um ANTRO de ódio direcionado a mim. Dos três itens acima, dois se encontram no campus. Os outros casos são igualmente trágicos e divertidos em suas singularidades. Pra começar, depois de chamar uma turma inteira de publicidade de vagabunda e criticar ferozmente um trabalho PÍFIO de video deles, me tornei inimiga número um, e, por extensão, todos meus companheiros de jornalismo do mesmo semestre. Um dos odiosos encontra-se sentado ao meu lado, me fuzilando enquanto eu estrategicamente posiciono minha bolsa e meu casaco dentro do espaço pessoal dele, just for fun.
Depois, vem o namorado. Já passei por situações incríveis só porque eu osculo esse rapaz desde agosto do ano passado. Ex namoradas psicopatas a calourinhas se querendo, já vi de tudo. Exemplo prático de cada uma: uma calourinha era toda simpática comigo até me ver com ele. Daí passou a me assassinar visualmente, falar com todos num grupo menos comigo e etcs. Já a ex psicopata... ah essa é um caso a parte. Desde depoimentos e mensagens de celular para ele declarando abertamente sua raiva pela minha pessoa (apesar de namorar com outro cara ao mesmo tempo), ela já botou pessoas contra minhas amigas, organizou uma festa no meu trabalho prometendo que não me chamaria (tipo, falando na minha cara) e, em seu mais recente feito, desenhou uma caveira embaixo do nome da minha colega de trabalho. Ahh, o ser humano.

O mais engraçado de tudo isso é que eu nunca conversei por mais de dois minutos com qualquer uma dessas pessoas. Elas me detestam gratuitamente por razões estapafúrdias e motivos retardados. A ex psicopata, que até hoje bateu recordes de demência e estupidez no quesito Crueldade com Inimigos, diz, para quem tiver interesse em perguntar, que eu e ela temos "diferenças de opiniões". Apesar de eu sequer ter idéia de qual o tom da voz dela. comofas meodeus/
Uma outra guria que declaradamente não gosta de mim disse para uma fonte confiável que era porque ela "não foi com a minha cara" e que eu era extremamente grossa e antipática. Questiono-me quanto ao embasamento dela já que nunca conversamos.

Sério, se qualquer uma dessas pessoas tivesse tido o trabalho de conversar comigo e definir que "é, ela é uma vaca estúpida que vende o corpo por 5 centavos na rodô", eu não teria problema algum com isso. Tenho orgulho de ter como maior inimiga de todos os tempos alguém inteligente, que tirou alguns minutos da vida para discutir ferrenhamente comigo e determinar que eu sou uma pessoa odiável.
Juro, não ligo. Meu ex pode me odiar, meu pseudo-ex pode me odiar, a guria que eu chifrei na 8ª série porque o namorado dela não se deu o trabalho de me contar que era comprometido pode me odiar. Eles tem um porquê (apesar de serem questionáveis, mas cada um é cada um ((ugh, clichê)) e somente você sabe o que te faz sofrer).

Acho que o problema do ser humano é fazer as coisas sem antes pensar em um simplório "porque diabos?".

Thursday, March 26, 2009

Eu dou risada da vida

Costumo dizer que eu tenho uma sorte cagada. Significa, na verdade, que eu não tenho sorte alguma; os acontecimentos do destino são dispostos milimetricamente para que eu seja a maior desfavorecida. De vez em quando, aqui e acolá, ele tem bugs no sistema e eu sou acometida por golpes de bons momentos, therefore, sorte. Tenho mais que certeza que, se algumas pessoas nasceram com a bunda virada para a lua, eu nasci com ela enterrada em meio metro de lama e fezes. Por que?
Dizer para o namorado, por exemplo, que vou ao shopping resolver umas coisas e almoçar sozinha é um risco tremendo. O cosmos parece SENTIR o que eu disse e, só pra me foder, manda alguém muito brother que não vejo há muito tempo almoçar no mesmo lugar, na mesma hora. E depois eu vou dizer que foi coincidência - quando realmente foi -, mas é meio difícil de acreditar e eu entendo. Sério, juro que entendo. Minha vida é uma sucessão infinita desse tipo de coisa.
Por isso, a única coisa que me resta fazer é rir dessas situações. Não tem porque me preocupar, me descabelar, entrar em desespero para explicar tudo as pessoas. Faço questão de, no início de qualquer relacionamento de qualquer nível com qualquer pessoa, deixar bem claro que é assim é pronto. E a culpa não é minha, beijos. Se eu pudesse, eliminaria umas boas 5 pessoas de Brasília. Se eu tivesse uma arma, o mundo seria um lugar melhor para (eu) viver.
Apesar dos constrangimentos - muito comuns na última semana -, eu gosto de viver assim porque me diverte. Lembro do meu pai contando pra quem desse ouvidos que eu era uma criança retardada.

Pai: Ju, olha o palhaço!
Ju: Hahahahahaha!
Pai: Ju, olha a mosca!
Ju: Hahahahahaha!
Pai: Ju, erh... olha o strogonoff de frango...
Ju: HAHAHAHAHAHAHAHA!!

Eu tinha menos de 3 anos. Isso pra mim é ser feliz, alegre e retardada. Cresci e não mudei muito. A desgraça me diverte. Filmes de mutilações me divertem. Pessoas estourando miolos dos outros me divertem. Pessoas quebrando a cara me divertem. Eventos previamente preconizados por mim acontecendo depois de dois anos me divertem. Tragédias da vida.
Eu quero mais é que continue, quero que minha vida seja assim pra sempre. Dizem que rir muito ajuda a viver mais e melhor. Devo viver uns 2 anos a mais que vocês, kthnx.

Wednesday, March 04, 2009

Desconforto

É mais ou menos o que eu tô sentindo, sem nenhum motivo aparente, sem nenhuma razão médica. Deve ser psicológico, quando eu me desconcentro ele passa. O difícil é me desconcentrar, quando eu não tenho o que substituir para minha atenção.

Não imaginei que ficar sem sorvete fosse tão incrivelmente difícil assim. Parece de propósito: foi só eu entrar nesta promessa, que minha mãe resolveu que seria legal ter três potes de sorvetes em casa, bem como pedir pra moça que geralmente faz almoços grandes lá em casa fazer a torta de sonho de valsa que eu comia religiosamente duas vezes por dia, quando tinha. Ela tem sorvete de creme na base. Me fodi. Dói abrir o congelador, e dói mesmo, aquele vazio estranho sabe? É.

Então Gus Van Sant não ganhou o Oscar de melhor diretor, de novo. Sei que sou suspeita, mas acho que ele nem devia competir pelo Oscar, tipo que nem a Meryl Streep, Al Pacino e Kubrick, se vivo. Porque eles sempre (90%) serão melhores que seus companheiros indicados, então qual a graça? Milk foi excelente, uma biografia respeitosa e cheia de esperança. Um roteiro tão incrivelmente bem-feito que me assustou, achei que não seria grande coisa. Não gosto do Sean Penn, mas sou obrigada a admitir sua excelência no papel de Harvey Milk. Já sobre Brad Pitt e seus vários Oscars diferentes pelo mesmo motivo absurdo, acho que deve ser a maior decepção do Oscar: ser indicado a muitos deles e não levar nenhum "importante" pra casa.

Tuesday, February 03, 2009

Pagando promessas

Se você me conhece, sabe que eu tenho 5 paixões na minha vida: cinema, livros, sushi, sexo e sorvete. Eu acredito que minha vida seria excessivamente saudável se eu vivesse a base dessas 5 coisas, trancada em uma kitinete, pro resto da vida. Devido a circunstâncias especiais (e de tanto ver uma pancada de gente fazendo promessa), eu decidi começar a minha.
Eu não posso viver sem cinema porque trabalho com isso. Não posso viver sem livros senão reprovo na faculdade. Já praticamente vivo sem sushi (já que viver disso, no meu conceito, seria comer todos os dias ou ao menos com uma constante frequência de cinco vezes por semana) e não posso me declarar sem sexo já que influencia outras pessoas além de mim.
Therefore, estou aqui e agora abdicando de todo e qualquer contato com sorvete até Julho em prol de um bem maior. E, para mostrar aos Deuses (malditos) que eu estou pronta para tal feito, começo minha promessa antes de ter meu pedido realizado, e não depois como todo mundo faz. Porque confio cegamente nas boas vibrações do cosmos (???).
De agora em diante, não mais farei minha bomba fatal na Gula Gelada, composta de uma bola de sorvete de creme, uma de chocolate, confeitos coloridos, jujubas vermelhas e cinco canudinhos. Não mais comerei sorvete com maple syrup depois do almoço. Não mais provarei de uma das maiores maravilhas do mundo: sorvete de Galak. Não mais usarei minha caneca especial de sorvete.
Não mais.
Amém.


ps.: para efeito de promessa, estão inclusos cornettos e todo e qualquer picolé que não seja de frutas (limão, uva, kiwi, manga e etcs). Estão inclusos também sorvetes alcóolicos.